segunda-feira, 27 de setembro de 2010

IGREJA: LAVOURA DE DEUS, EDIFÍCIO DE DEUS.



Ao ler a Bíblia pode-se dizer que Deus gosta de se comunicar através de metáforas. Metáfora é uma figura de linguagem onde o significado natural de uma palavra é substituído por outro devido a relação de semelhança. Assim, quando Paulo fala que a igreja é “lavoura e edifício de Deus” devemos pensar na relação de semelhança entre uma lavoura e uma construção com a igreja. Paulo não estava dizendo literalmente que a igreja é uma lavoura ou uma construção, ele está se referindo as semelhanças existentes. Vejamos o que podemos aprender a respeito da igreja com as metáforas de Paulo.
I – A IGREJA COMO LAVOURA DE DEUS.
“Vocês são lavoura de Deus” (1 Co 3.9 – NVI). O apóstolo Paulo fala a igreja de Corinto que ele e Apolo, na condição de pregadores do evangelho são apenas cooperadores do verdadeiro agricultor. A igreja precisa estar consciente de que assim como o agricultor cuida de sua lavoura é Deus quem cuida de seu povo. Jesus disse certa vez: “meu Pai é o agricultor” (Jo 15.1). O agricultor é aquele que cultiva o solo e tira o fruto da terra. Diante a figura de linguagem usada por Paulo pode-se tirar algumas lições: 1) Deus, como o agricultor, é o dono e o grande responsável pelo cuidado da igreja: Paulo chama esta ideia à mente dos corintos para que eles entendessem que a igreja apesar de ser composta por homens tem o grande Deus como soberano Senhor, e Ele é aquele que cultiva ou cuida da igreja. Ele sabe o tempo de regar, de adubar e de podar. A igreja em Corinto não pertencia a Paulo, Apolo ou Pedro, a igreja era de Deus: “à igreja de Deus que está em Corinto...” (1 Co 1.2 – NVI). Por isso, os coríntios deviam estar cientes de que aquilo que estavam vendo na vida desses homens não era puramente humano, era o agir do agricultor no cultivo de sua lavoura. Na lavoura de Deus o agir humano é agir divino, ou seja, o agir humano é impulsionado pelo cuidado de Deus com seu povo. Na lavoura de Deus o homem é cooperador, o Agricultor que é o dono e grande responsável pelo cultivo é o Senhor. 2) O cuidado do Agricultor para com a igreja envolve a participação dos cooperadores: Deus cuida da igreja através dos cooperadores. Os cooperadores não são os donos da lavoura, mas o trabalho deles é indispensável para o bom cultivo. Sabendo disso, o Agricultor que cuida da lavoura com profundo zelo levanta trabalhadores. O interessante e belo neste processo é que os cooperadores fazem parte da lavoura. Apolo e Paulo também faziam parte da igreja de Cristo, mas ainda assim não estavam na vinha chamada igreja só para receber cuidado, mas também para cooperar com toda vinha. Aqui mora uma bela marca da igreja de Cristo! Aquele que um dia recebeu cuidado coopera no cuidado! Aquele que um dia recebeu a semente, agora coopera no semear! Quem um dia foi refrescado com a água da vida, agora coopera para regar outras vidas com a mesma água! Enquanto isso Deus, o Agricultor, está por trás de todo processo dando o crescimento (1 Co 3.6-7)! Você que é membro da vinha de Cristo deve estar ciente de que Deus cuida de sua igreja, mas este cuidado passa pela sua vida como um cooperador na vinha.
II – A IGREJA COMO EDIFÍCIO DE DEUS.
“...e edifício de Deus” (1 Co 3.9 – NVI). Por trás desta metáfora está presente a edificação de uma casa, o apóstolo Paulo está dizendo que a igreja é casa espiritual de Deus. A ideia do agricultor também pode ser aplicada ao Arquiteto que é Deus. Ele é o dono e mestre de obras do edifício e aqueles a quem Ele edifica também cooperam nesta edificação do edifício. Como bom construtor Deus providenciou um firme fundamento e um lugar específico para cada pedra viva que compõe esta casa espiritual (1 Pe 2.5). Quais são as marcas desta casa espiritual de Deus que é a igreja? 1) Um firme fundamento: Como sábio Arquiteto Deus providenciou um fundamento inabalável, Jesus Cristo. É verdade que Paulo fala que a igreja é edificada sobre o fundamento dos apóstolos, mas no mesmo texto Paulo afirma que o fundamento lançado pelos apóstolos tem a Cristo como pedra angular, ou seja, a pedra que serve de referência para a fundação do edifício (Ef 2.20). As pedras do fundamento dos apóstolos só foram lançadas por causa da existência da principal pedra (1 Co 3.11). 2) Um edifício edificado com pedras vivas: É verdade que cada crente é habitação de Deus, mas se tratando da igreja como casa espiritual e edifício de Deus, nenhum crente é igreja sozinho. Uma única uva não é uma vinha. Um único tijolo não é um edifício, um único crente não é a igreja. A igreja pressupõe um conjunto de pedras vivas, ou seja, pedras que têm uma função sendo desempenhada. Assim como uma uva coopera para existência da vinha e um tijolo para a existência do edifício, cada crente é uma pedra viva que coopera para a existência da igreja. Pedras vivas não estão amontoadas, estão colocadas em um lugar estratégico pelo Arquiteto. Pedras mortas podem aumentar o volume de material na construção, mas não cooperam para o crescimento ajustado do edifício.

Domingo: 1 Coríntios 3.1-9
Segunda: João 15.1-10
Terça: Mateus 21.28-32
Quarta: Mateus 21.33-46
Quinta: 1 Coríntios 3.10-17
Sexta: 1 Pedro 2.4-8
Sábado: Efésios 2.19-22

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Deserto, a escola de Deus - parte 1/4

DISCIPULAR: FORMANDO AGENTES DE TRANSFORMAÇÃO

Certa vez o pastor Russell Shedd disse: “somos 25 milhões de evangélicos no Brasil, onde está o poder dessa multidão?”. Apesar do crescimento rápido do número de evangélicos, a transformação da sociedade para melhor não acontece, pois enquanto as igrejas evangélicas vão se enchendo de espectadores, estão ficando vazias de discípulos. Daí a importância de se pensar na formação de agentes de transformação.
A crise da igreja está relacionada com sua formação, o tipo de pessoa que ela está formando. “A igreja não muda o mundo quando gera convertidos, mas quando gera discípulos. Para preservar o fruto do avivamento e transformar a sociedade, a igreja precisa ir além de fazer convertidos e dedicar-se a fazer com que esses convertidos cheguem a maturidade” tornando-os agentes de transformação.
Para que os convertidos sejam formados em agentes de transformação é necessário um treinamento adequado. Este treinamento pode ser lento, chato, doloroso e de início imperceptível, contudo é a única maneira de gerar transformação na sociedade.
Quais são os elementos indispensáveis no discipulado para formar agentes de transformação?
I – ASSOCIAÇÃO
Acompanhamento pessoal, esta era a essência do programa de treinamento de Jesus: permitir a seus discípulos que o seguissem. Sem acompanhamento não há formação de discípulos. Jesus não oferecia uma educação formal, não fundou um seminário, não definiu um currículo escolar nem abriu matrículas para seus seguidores. Tudo o que Jesus fazia para gerar discípulos era trazer as pessoas para perto de si. Jesus pedia apenas que seus discípulos o seguissem. Somente depois de se associar as pessoas é que Jesus partia para a explicação que acontecia no dia a dia. Para Jesus a associação vem antes da explicação.
No convite para João e André, o modelo acima está claro: “Venham e verão” (Jo 1.39 – NVI). Filipe, motivado pelo “siga-me” que recebeu de Cristo, convidou Natanael com um sugestivo “venha e veja” (Jo 1.46 – NVI). No chamado de Pedro, Tiago, João e André, mais uma vez fica claro o chamado a associação “Sigam-me” (Mc 1.17; Mt 4.19; Lc 5.10). Mateus também recebe o mesmo convite para associação (Mc 2.14; Mt 9.9; Lc 5.27). Na presença de Jesus os discípulos poderiam aprender tudo que precisavam, mas primeiro precisavam estar na presença dele.
Hoje, a igreja acaba por inverter esta ordem, quer explicar antes de se associar as pessoas. A igreja quer explicar sem o acompanhamento pessoal. Enquanto não acontecer a associação, ou aproximação, as pessoas estarão distantes demais para entenderem o que está sendo explicado. Sendo assim, não haverá transformação sendo gerada nelas, muitos menos elas serão agentes de transformação na sociedade.
Quando é necessário separar doze homens do meio de uma multidão para prepará-los, Jesus deixa evidente que antes de pregar ou expulsar demônios aqueles homens precisavam associar-se a Ele: “Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele...” (Mac 3.14 – NVI). O tempo que Jesus investiu nos doze era muito maior do que dedicou a outras pessoas, o que mostra uma estratégia preestabelecida para prepará-los. Foi este acompanhamento pessoal que possibilitou o futuro ministério apostólico. O exemplo do Mestre nos diz que não é possível formar agentes de transformação sem associação ou acompanhamento pessoal.
O QUE HOJE ATRAPALHA ESTA REAL ASSOCIAÇÃO ENTRE O CRENTE ANTIGO E O NOVO CONVERTIDO?
II – CONSAGRAÇÃO
Para fazer diferença é preciso ser diferente! Não se forma agentes de transformação sem apresentar a necessidade de consagração total. A igreja não pode mudar esta mensagem se quiser formar agentes de transformação. Jesus esperava que as pessoas que andavam com ele fossem obedientes, não precisavam ser espertas, tinham que ser leais. Em um primeiro momento seguir a Jesus parecia ser fácil, mas depois o Mestre deixa evidente que ser seu discípulo envolvia muito mais do que aceitar alegremente a promessa messiânica, significava render a própria vida em absoluta submissão ao Senhor. Não há espaço para qualquer outro compromisso para aquele que deseja ser agente de transformação do Reino. Talvez a transformação da sociedade não acompanha o “crescimento” da igreja porque a mensagem de uma consagração total a Cristo e um rompimento radical com o pecado tem sido negligenciada.
O padrão de conduta de cada discípulo de Cristo passou a ser o amor em sua expressão mais perfeita (Mt 5.43-48), e este deveria manifestar-se numa atitude de obediência total a Cristo (Jo 14.21) e dedicação àqueles por cuja salvação ele morrera (Mt 25.31-36). Quantas pessoas entram para a igreja e continuam a carregar amargura e sentimento de vingança nos corações pelo fato de não renunciarem a si mesmos e consagrarem-se a Cristo? Quantos na igreja estão consagrados apenas ao que lhes agrada? O estar na igreja e não consagrar-se não leva ninguém a se tornar agente de transformação. Jesus deixou claro que tornar-se seu discípulo a renúncia do mundo é um preço inegociável: “qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo” (Lc 14.33 – NVI). O ser agente de transformação envolve um preço, e este é a consagração total a Cristo, aqueles que apenas fingiam assumir esta postura enfrentavam angústias e tragédia espiritual como foi com Judas (Mt 27.3-10; At 1.18-19). Jesus até entendia as falhas humanas de seus discípulos, mas ele não tolerava um coração dividido. O discípulo precisa morrer para ele mesmo a fim de viver em Cristo como agente de transformação.
III – DEMONSTRAÇÃO
Alguém já disse que “as palavras ecoam, mas os exemplos arrastam”. Não se forma agentes de transformação sem exemplos a serem seguidos. Se muitas pessoas têm entrado para a igreja, contudo, sem se tornarem agentes de transformação na sociedade, o motivo pode ser o da falta de exemplo, ou o que é pior, a existência de maus exemplos. Como pessoas recém convertidas vão se consagrar totalmente ao Reino de Deus se ao olhar para a vida dos membros da igreja não vêm como isso acontece? A vida do novo convertido acaba sendo o reflexo da vida dos antigos crentes.
Jesus, sabendo da importância da demonstração para a formação de seus discípulos, demostrou com atitudes como seus seguidores deveriam agir. Ele não pedia a ninguém que fizesse ou fosse alguma coisa que não tivesse primeiro demonstrado em sua própria vida. Tudo quanto Jesus dizia ou fazia era na verdade uma aula. As pessoas querem exemplos, não explicações. Mais do que falar de oração Jesus orava com os discípulos (Lc 9.18; Lc 22.39-46). Mais do que falar da importância da Palavra, Jesus fazia o uso do A.T. para demonstrar a importância da Palavra na vida cristã – Cristo faz 66 referências ao A.T. e mais de 90 alusões (Mt 5.17-19; Lc 4.17-21; Lc 24.27). Mais do que falar do amor às pessoas Jesus amava as pessoas (Jo 13.1; Jo 15.12; Mt 9.36-38; Mt 15.32; Lc 5.30-32).
Se é desejo da igreja formar agentes de transformação como Jesus é preciso que os novos convertidos tenham a instrução acompanhada da demonstração daqueles que fazem coro com o apóstolo Paulo: “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo” (1 Co 11.1 – NVI). Se os novos convertidos não estão sendo formados em agentes de transformação pode ser que a vitrine que eles possuem no momento esteja mal arrumada, porque eles reproduzirão aquilo que ouvirem e virem na igreja (Fp 4.9).
Se os novos convertidos não se tornam discípulos agentes de transformação, pode ser que a igreja se transformou no que não deveria ser, uma agencia de espectadores em vez de agentes de transformação.

Leitura Semanal:
Domingo: João 1.35-51
Segunda: Marcos 1.14-20
Terça: Marcos 3.13-19
Quarta: Lucas 14.25-34
Quinta: Lucas 9.23-26
Sexta: João 13.1-17
Sábado: 2 Timóteo 2.1-4

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

DISCIPULAR: UM CHAMADA À MATURIDADE

Muitas pessoas são capazes de fazer uma oração entregando a vida a Cristo, contudo, esta atitude não é garantia de crescimento na vida cristã. Existem pessoas que se convertem, mas não crescem! Nascem, mas não alcançam a maturidade! Envelhecem, mas vivem a vida cristã como anões da fé! Frequentam a igreja, mas não se envolvem com o Reino! Existem “crentes” com anos de igreja, mas ainda não saíram do berçário da fé! A estratégia de Deus para acabar com essa anormalidade, que infelizmente tem sido “normal” na vida da igreja, é o discipulado que chama as pessoas à maturidade.
Será que as igrejas evangélicas têm crescido numericamente na mesma proporção de que têm amadurecido? O N.T. nos dá a ideia de um crescimento que envolve não somente um maior número de pessoas, mas também pessoas que estão crescendo, amadurecendo e aprofundando-se na fé. Uma igreja saudável se caracteriza por um interesse sério pelo crescimento espiritual por parte dos seus membros, pois as pessoas querem melhorar no seguir a Jesus e desejam ver outros trilhando o mesmo caminho da maturidade.
Pode-se afirmar que O DISCIPULADO CRISTÃO DESTACA A IMPORTÂNCIA DA MATURIDADE ESPIRITUAL. O foco do discipulado é uma vida cristã madura e não infantil. O discipulado pressupõe um processo de crescimento contínuo na vida do crente. Não basta professar a fé, a proposta cristã é o amadurecimento diário do crente nos valores do Evangelho. Vejamos os fatores que apontam para esta importância que o discipulado dá a maturidade espiritual de cada crente:
I – A MATURIDADE ESPIRITUAL GLORIFICA A DEUS
A estratégia do discipulado glorifica a Deus. Trabalhar para promover o discipulado e o crescimento espiritual significa trabalhar não para nossa glória, e sim para glória de Deus (1 Pe 2.12). Atitudes maduras se destacam em um mundo de infantilidades adultas, quando estes contrastes são evidenciados pelo viver de um cristão que cresce a cada dia na fé o Senhor é honrado. Nada honra mais um pai do que um filho que sabe se portar de maneira responsável na vida. Quando se vê um jovem tendo atitudes maduras logo as pessoas tendem a relacionar ao exemplo dos pais, O que não deixa de ser um discipulado. Por vezes até se diz que os seus pais também agiriam dessa forma. Na vida cristã não é diferente, o viver maduro de cada crente faz com que as pessoas pensem que tais atitudes só poderiam vir de um filho de Deus (Mt 5.16). Por isso, se é desejo da igreja glorificar a Deus, seu desejo também deve ser o de fazer discípulos, ou seja, chamar pessoas a maturidade espiritual, o viver a semelhança do Filho de Deus (2 Ts 1.11-12). O discipulado cristão chama as pessoas a verem Cristo em nós para que elas também evidenciem Cristo nelas e assim Deus seja glorificado pelo viver de seus filhos.
II – A MATURIDADE ESPIRITUAL É UM SINAL DE VIDA
Aqueles que se convertem a Cristo evidenciam uma nova Vida gerada neles. O discipulado é uma chamada ao desenvolvimento dessa Vida. A falta de maturidade pode evidenciar a ausência do novo nascimento. O que se espera de uma criança é que ela amadureça com o passar do tempo. Árvores vivas são árvores que crescem, animais vivos são animais que crescem, quando algo se recusa a crescer na verdade está é faltando vida. Somente as coisas vivas sobem a correnteza, as coisas mortas boiam. Muitas pessoas dentro da igreja estão sendo levadas pelas correntezas da vida por causa da falta de crescimento espiritual. Assim como um corpo vivo cresce, espera-se que o crente como membro do corpo e ligado a cabeça, que é Cristo, também cresça (Cl 2.19, Ef 4.16). Crente que cresce espiritualmente evidencia o fato de ter passado pelo novo nascimento.
III – A MATURIDADE ESPIRITUAL IMPEDE UMA FALSA IMPRESSÃO DE SUCESSO
Sem um discipulado que chama à maturidade o que é um aparente sucesso pode se revelar em um fracasso. Existem grandes igrejas com centenas de membros que nunca as frequentam, e muitos dos que vão aos cultos não aparentam estar muito interessados em Deus. O discipulado que conduz a maturidade é uma estratégia de Deus para se combater o “inchaço” da igreja. As pessoas podem até entrar para a igreja, mas se não forem conduzidas ao crescimento espiritual, diante das pressões da vida, estão propensas a agirem de forma imatura a ponto de quem sabe nunca mais desejarem pisar em uma igreja. Isso não significa que uma igreja pequena é sinal de crentes maduros, ou que o crescimento numérico não deva ser buscado. A questão é que não se pode negligenciar o chamado do discipulado ao amadurecimento que cada membro do corpo, pois sem a maturidade dos crentes a igreja pode se tornar em uma grande propaganda enganosa onde a aparência mascara o conteúdo debilitado. A igreja em Atos crescia numericamente, em um único dia quase três mil foram convertidos e o verso seguinte a este relato diz que eles “perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.42). Pode-se dizer que os quase três mil convertidos, sem demora, iniciaram um processo de crescimento e amadurecimento sendo discipulados pela igreja, para que suas conversões não fossem apenas uma falsa impressão de sucesso evangelístico da igreja primitiva.

CONCLUSÃO: Para que a maturidade espiritual seja alcançada o discipulado é indispensável. Muitas coisas que minam a igreja são frutos de imaturidade. “Crente” que não cresce espiritualmente é uma incoerência, assim como “crente” que não deseja ver outros crentes crescerem também o é. Aquele que foi alcançado pelo Evangelho é chamado a desenvolver sua maturidade através do discipulado e ao mesmo tempo discipular outros para o amadurecimento. Falar de crente que não busca a maturidade nele e nos outros através do discipulado seria como falar de gelo quente!

DOMINGO: Filipenses 1.1-11
SEGUNDA: Colossenses 1.9-14
TERÇA: Colossenses 2.11-19
QUARTA: 2 Tessalonicenses 1.3-12
QUINTA: 1 Pedro 2.1-10
SEXTA: Efésios 4.11-16
SÁBADO: 2 Pedro 3.14-18

terça-feira, 3 de agosto de 2010

DISCIPULAR: UMA MARCA DA IGREJA

Este mês vamos estudar um assunto de suma importância na vida da igreja que é o discipulado. Por ser assim, é importante que os professores assumam um compromisso maior de oração ao ministrarem as lições, pois ao se falar tanto em determinados assuntos de forma rotineira no dia a dia da igreja, eles acabam por perder sua força e produtividade, o que tem levado a igreja ao formalismo e ao fracasso em sua ação no mundo. Discipulado é um assunto sério, urgente, necessário e essencial na vida da igreja, e o descuido nessa área tem feito da igreja um ajuntamento de pessoas sem expressão e testemunho frutífero no mundo. Nós não precisamos de mais projetos, de mais cultos, de mais atividades, precisamos de crentes que tenham a Jesus como seu modelo e assim sejam discípulos de Jesus.

1 – DISCIPULAR: UMA ORDEM DE JESUS
As ultimas palavras de Jesus aos discípulos estão registradas em Mateus 28:18-20, assunto estudado durante o mês de julho versando o ministério da igreja indo, fazendo, ensinando. Além do ir, a ordem de Jesus é bem clara e específica, que é a de fazer discípulos.
O que Jesus estava propondo aos discípulos e por conseqüência à igreja, é que seguissem seu modelo de realizar a missão confiada pelo Pai, que continha o anuncio do evangelho mas também a preparação de pessoas para desenvolverem o ministério de cristãos.
Olhando para o ministério de Jesus percebemos que a tarefa de discipular tem algumas características básicas: 1ª – não pode ter muita gente; 2ª – leva tempo; 3ª – tem que ter convívio e 4ª – se aprende com as situações do dia a dia. Falaremos mais sobre esse assunto nas demais lições, mas é importante refletir sobre os novos e ineficazes modelos que temos usado em nossos dias.
2 – DISCIPULAR: UMA NECESSIDADE URGENTE
Um dos grandes obstáculos que o evangelho enfrenta e que acaba por paralisá-lo ou mesmo enfraquecê-lo é a infantilidade da igreja. Paulo se referiu a esse grave problema quando escreveu à igreja de Corinto (1Co 3:1-9), alertando na carta as lutas que a igreja enfrenta quando os crentes não amadurecem na fé. Em Hebreus 5:11-14 se faz referencia a uma tragédia que é visível na vida da igreja, onde se levanta a questão de que, tempo de igreja não é o mesmo que amadurecimento.
Todas essas questões estão relacionadas com o mesmo problema: falha no discipulado. Quando há falha no processo de discipulado mais cedo ou mais tarde as dificuldades aparecem, e o que acaba acarretando uma serie de problemas na igreja. Hoje não precisamos de mais diversidade de atividades ou coisas parecidas, mas precisamos de crentes maduros e sãos na fé, e isso só é possível através de um discipulado eficiente, que leve os crentes a maturidade e a independência espiritual.

3 – DISCIPULAR: UM MINISTERIO A SER REDESCOBERTO
Se você for um bom observador será capaz de perceber que das ordens deixadas por Jesus na grande comissão a igreja tem sido produtiva no que diz respeito a pregação e ao ensino. O ministério da pregação é exercido com eficiência e o ensino é ministrado semanalmente, e assim a igreja caminha.
Mas é possível perceber que, mesmo exercendo esses ministérios ainda há muita imaturidade no meio da igreja, há falta de firmeza na fé, há frieza espiritual, e isso tudo é reflexo de uma falha no discipulado. Paulo compara a igreja a um edifício (1Co 3:9), e esse para chegar a ser um edifício precisa ser construído a cada dia. Compara também a um corpo (1Co 12:12), e um corpo sadio cresce e se desenvolve, e isso passa por uma alimentação sadia e diária.
O processo de construção de um edifício passa pela mão de um construtor, e o cuidado do corpo para que esse cresça pelo cuidado de um adulto responsável. Hoje precisamos redescobrir na igreja os edificadores de edifício, aqueles que vão cuidar das crianças e alimentá-las para que cresçam e se desenvolvam. O cristão não pode se contentar em ver as pessoas frequentando os cultos na igreja, é preciso estar atento à necessidade de crescimento e amadurecimento que a redescoberta do discipulado pode proporcionar.
Jesus motivou os discípulos a orar por trabalhadores para a seara, pedindo a Deus que os enviasse. Hoje precisamos pedir a Deus que envie construtores para a sua igreja. Temos pregadores, professores, cantores, instrumentistas, evangelistas, mas temos carência de construtores. Roguemos ao Senhor por esse ministério!
Domingo – 1Co 3:1-9 2ª feira – Hebreus 5:11-14 3ª feira - 1Co 1:10-17 4ª feira – Ef 4:7-16 5ª feira - 1Pe 2:1-10 6ªfeira - 2Pe 1:3-11 sabado – Cl 2:16-23