segunda-feira, 3 de maio de 2010

ISAÍAS: O EVENGELHO NO ANTIGO TESTAMENTO

Evangelho é boa nova! O Evangelho tem a ver com notícias, contudo, como toda notícia, essa boa nova pode se tornar desorganizada e confusa. Com muita freqüência as boas novas do evangelho têm tomando uma forma confusa e desorganiza que acaba por dificultar o entendimento do Evangelho nos dias atuais. Hoje é mais do que necessário rever as páginas do Antigo Testamento (A.T.) para corrigirmos essa confusão que por vezes faz com que a própria “igreja” não entenda o significado do Evangelho, e uma igreja que não compreende a essência do Evangelho não pode ser uma igreja saudável. Buscando entender a essência do Evangelho, este estudo vai nos levar as páginas do A.T., especialmente o livro de Isaías que é chamado por alguns de “o quinto Evangelho”, isso não sem motivo já que o nome do autor do livro significa “O Senhor salva”. Quando iniciou seu ministério público o Senhor Jesus fez menção a passagem messiânica de Isaías 61 para mostra que as boas novas do Evangelho estavam se cumprindo em sua vida e ministério.
Vejamos algumas lições referentes ao Evangelho tiradas do livro de Isaías que o levou a ser chamado de “o quinto Evangelho”:
I – AS BOAS NOVAS NÃO SÃO TÃO NOVAS ASSIM
O livro de Isaías nos mostra que as boas novas não são tão novas assim. Nenhum outro livro da Bíblia contém tantas referências à vinda do Messias como o livro de Isaías, ele também é um dos mais citados no N.T. A idéia de boas novas de salvação não foi uma invenção posterior do cristianismo. O próprio Senhor Jesus já falava de boas novas, e ao falar nesses termos Jesus retornou a linguagem de Isaías usada aproximadamente 700 anos antes (Isaías foi escrito entre os anos 740-680 a.C.): “Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas...” (Is 52.7). O apóstolo Paulo também usou a expressão boas novas tendo em mente este texto de Isaías (Rm 10.15), Nesta passagem Deus faz referência aos mensageiros que levavam notícias dos campos de batalha ao rei e ao povo que ficavam na expectativa de boas notícias. Ao falar de boas novas Deus estava se referindo a libertação do exílio que prefigura as boas novas da salvação e libertação do pecado em Cristo. Logo, as boas novas que Cristo falou e que hoje a igreja continua a falar já eram novas no tempo de Isaías. A mensagem que motiva as reuniões da igreja hoje é antiga e ao mesmo tempo é nova. Isso nos faz lembrar aquele hino “conta-nos a velha história”, história essa que continua sendo nova apesar dos anos decorridos.
Há em nossa cultura uma percepção errônea, o Evangelho não se restringe ao Novo Testamento (N.T.) como alguns pensam. São as promessas que o A.T. traz em suas páginas que tornaram possível a concretização das boas novas de salvação no N.T. Esta percepção de que o Evangelho está presente nas páginas do A.T. é importante para trazer segurança a nossa fé: as boas novas do Evangelho não se tratam de uma mensagem inventada pelo homem no surgimento da igreja ou até mesmo recentemente. Cremos em uma mensagem de Deus e não em uma invenção da imaginação humana. Muitas pessoas dentro das igrejas ainda precisam entender que o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo (1 Pe 1.19-20; Ap 13.8), e o livro de Isaías nos ajuda a perceber isso. Quantas pessoas não têm segurança na salvação por desconsiderarem a história do Evangelho. Isaías nos leva a descansar o coração contra os ataques que o mundo faz ao Evangelho. Isaías nos leva a dizer que cremos na nova, velha e autêntica notícia do Evangelho que em vez de boato é boa nova.
II – AS BOAS NOVAS FALAM DE JUSTIFICAÇÃO.
Quando se lê o profeta Isaías percebe-se uma característica muito importante dessas novas. As novas são boas! Quando o mensageiro vinha do campo de batalha e o povo na expectativa de notícias o avistava de longe a pergunta era somente uma: as novas são boas? Se a batalha esta sendo ganha a nova era boa, logo, os pés desse mensageiro para o povo transmitiam beleza no seu andar, tratava-se de uma bela caminhada motivada por uma boa notícia. Mas se a batalha esteve sendo perdida as novas eram más. O livro de Isaías diz para o povo de Deus que as novas são boas porque falam de vitória sobre o pecado, falam de justificação: “... ele foi transpassado por nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades; o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados... ...pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniqüidade deles ” (Is 53.5, 11 – NVI). Evangelho sem justificação não é boa notícia.
Muito se fala de Evangelho em nosso dia, mas pouco se fala de justificação. Evangelho sem justificação não é boa notícia porque dentre de cada ser humano existe um “ai de mim!” como existia em Isaías (Is 6.5), e este clamor é movido pela consciência de pecado. Agora como um culpado pode ser justificado ou declarado justo? Quando recebe o castigo por sua transgressão e iniqüidade. A boa notícia para Isaías, homem que trazia em seu ser seus “ais”, era o fato de que o castigo capaz de lhe trazer a paz estaria sobre o Messias, por isso, seria justificado, ou seja, inocentado, o que significa paz de espírito consigo mesmo e com Deus (Is 1.18). Aqui esta o significado da justificação, nossa posição diante de Deus foi alterada de uma vez por todas (Rm 5.1, Rm 8.1,33,34), de culpados fomos declarados inocentes e perdoados. O fato de sermos declarados diante de Deus como inocentes não significa que não fizemos nada de errado, muito pelo contrário, a questão é que alguém sofreu o castigo que era nosso. Essa era a notícia que Isaías tinha a dizer e, por isso, era boa nova, pois assim como nós ele também tinha um “ai” para ser resolvido. Logo, se era boa nova para ele, apesar do decorrer dos anos, também continua a ser boa nova para nossas vidas.
III – AS BOAS NOVAS FALAM DO SERVO SOFREDOR E SATISFEITO.
Como pode alguém sofrer e ficar satisfeito? Isso é irracional. Mas é isso que Isaías fala a respeito daquele que seria nosso justificador. O Servo que sofreu mas ficou satisfeito. Repare nas ações que o Servo, o Messias, iria sofrer: traspassado, esmagado (moído), castigado, ferido, oprimido, afligido (humilhado) (Is 53.5-7). Contudo, mesmo diante todo este sofrimento, “como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu sua boca” (Is 53.7). Além de não abrir a boca o Servo ainda ficou satisfeito: “ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito” (Is 53.11). A satisfação de Cristo não diz respeito ao sofrimento em si, a satisfação diz respeito ao fruto do penoso trabalho. Mas que fruto é esse? VOCÊ! Cristo olha para sua vida hoje e fica satisfeito pela obra realizada em você mesmo tendo passado por tamanho sofrimento. Cristo foi moído, mas o que importa é que você foi justificado, por isso, ao Senhor agradou moê-lo: “Contudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor tenha feito da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão.” (Is 53.10 – NVI). Você já parou para pensar na maravilha que é esta verdade, Cristo olha para sua vida, para a fé que há em seu coração na obra da redenção, e fica satisfeito. Você é motivo de satisfação para Deus e seu Filho! Isso porque Deus mesmo te plantou como um carvalho (símbolo de força e durabilidade) de justiça para manifestação de sua glória (Is 61.3).

Um comentário:

  1. Postagem muito esclarecedora. Gostaria de saber se o livro de Ezequiel se enquadra como um dos livro do A.T. evangelísticos.

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